segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os elementos da Santa Ceia



No Catecismo Menor, aprendemos que “a Santa Ceia é o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, para ser comido e bebido, sob o pão e o vinho...”. Pão e vinho são os elementos visíveis da Santa Ceia. Porém, as igrejas que proíbem qualquer bebida alcoólica usam vários motivos para justificar o uso do suco em vez do vinho. Há também os que justificam outros elementos em lugar do pão. A seguir, vamos conhecer os principais argumentos.

Fruto da videira
Quando o Senhor Jesus instituiu a Santa Ceia, usou a expressão: “deste fruto da videira”(Mt 26.29). Esta era uma expressão usada pelos judeus para designar o vinho usado em festas solenes e casamentos. Muitos alegam que esta é uma expressão genérica que se refere a todos os derivados da uva, como o suco e até mesmo o refrigerante a base de uva.

Suco de uva
Há os que alegam que a palavra grega para vinho, oinos, teria o significado tanto de vinho, como de suco de uva, este também chamado de mosto ou vinho novo. Com isso, querem dizer que Jesus teria usado suco e não vinho. Porém, em Israel, a colheita da uva acontece por volta de setembro e outubro, e a Páscoa em março e abril. Assim, não havia como impedir a fermentação do vinho durante esse espaço de tempo. Além disso, o mosto era armazenado em odres feitos de couro de cabrito, ou em vazilhas de barro, onde naturalmente fermentava. O sacolejo do transporte e a alta temperatura não evitava o processo de fermentação.

A conservação
Outros alegam que os judeus tinham técnicas de conservação do suco de uva. Eles o guardavam em recipientes lacrados e depois o colocavam submersos em poços de água em temperatura abaixo de 10ºC, que o conservava por vários meses. Esta seria mais uma comprovação de que Jesus teria usado o suco. No entanto, ainda que o mosto fosse consumido, o vinho velho, chamado de vinho bom, sempre era preferido (Lc 2.1-10).

A fermentação
Jesus instituiu a Ceia durante a Páscoa. A lei da Páscoa (Ex 12.14-20;13.7) proibia o uso do fermento durante o evento. A fermentação era símbolo da corrupção pecaminosa (Mt 16.6,12; 1Co 5.7,8). Apenas o pão asmo, ou seja, o pão sem fermento,era permitido. Muitos alegam que o vinho, sendo bebida fermentada, também era proibido. Porém, o fermento citado é o do pão acrescentado à farinha,e não o do vinho que é natural dele.

Cultura Judaica
Há também os que alegam que o pão e o vinho eram ingredientes da cultura judaica. Logo, Jesus teria usado elementos ligados a uma cultura, mas não teria atrelado a Santa Ceia a elementos daquela cultura. Os adeptos desta interpretação dizem que pode-se usar elementos de qualquer cultura. Assim, numa região produtora de cana de açúcar, poderia então se usar cachaça e rapadura na Santa Ceia – os mineiros poderiam usar leite e pãozinho de queijo.

POR QUE USAMOS PÃO E VINHO?

Quanto ao uso do pão
Está claro nas palavras da instituição: “tomou o pão” (Mt 26.26). Portanto não é possível usar outro elemento em lugar do pão. Jesus usou pães que estavam à disposição, ou seja, o pão sem fermento, pois era festa dos pães asmos (Lc 22.7). O pão com fermento era proibido só na Páscoa; em outras épocas, ele era usado. E os discípulos continuaram celebrando a Santa Ceia com os pães que tinham à disposição, entre eles, o pão fermentado. Assim, não está errado usar pão com fermento, mas, por coerência, é bom usar sempre a hóstia que é um pão sem fermento.

Quanto ao uso do vinho
Nas festas sagradas e nos casamentos, os judeus usavam vinho fermentado. A Bíblia o cita como “bebida forte” (Lv 10.9; Lc 1.15), ou seja, vinho mesmo, não suco. A Bíblia condena a embriaguez, mas não o uso do vinho. Além disso, em Coríntio, os cristãos usaram vinho na Santa Ceia com teor alcoólico, o que até gerou casos de embriaguez(1Co 11.21). Assim, pela tradição da Igreja e crença luterana,na Santa Ceia, usamos o pão e o vinho, de preferência um vinho de boa qualidade.

Mensageiro Luterano - Dezembro/2010
David Karnopp

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog. Muito importante esta explicação sobre os elementos da Santa Ceia aqui na Web, à disposição de todos. Há muita confusão e dúvidas a respeito do assunto e a postura luterana, alicerçada na Bíblia e contexto histórico é muito esclarecedora.
Walace - Guarapari ES

Paulo Gutto disse...

Acho válida sua abordagem sobre os elementos usados na Santa Ceia, porém quero acrescentar outra informação que julgo importante, e que tem conotação espiritual!

Luk 22:19 E, tomando o pão e havendo dado graças, partiu- o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim.

Luk 22:20 Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós.


- Pois bem, para entender o que significa cear com Yeshua, comer de seu corpo e beber de se sangue, elementos apresentados como pão e vinho (e que são apenas símbolos na verdade), temos que nos ater aos atos praticados por Yeshua:


1 – Ele é quem abençoa o pão. - Ele quem é quem abençoa o corpo. Sua presença divina e perfeita é que santifica o corpo. Se o seu espírito habita em nós, somos santificados, e não mais comentemos pecados segundo a vontade da carne, mas, praticamos a justiça segundo seu espírito.


2 – Ele é quem parte o corpo. - É seu gesto que propicia a nossa comunhão com o Eterno. Ao decidir morrer em nosso lugar para pagar nossa dívida, contraída por nossos pecados, Yeshua livra nossa alma da morte eterna. O salário do pecado é a morte, todos somos pecadores, devemos morrer para pagar nosso débito. De fato assim é, morre nosso corpo carnal e nossa alma eterna, permanece sem ter como manifestar-se viva, por não possuir um corpo. Mas se Yeshua toma nosso lugar e morre por nossos pecados, nossa alma volta a se manifestar viva, num novo corpo, o corpo espiritual de Yeshua.


3 – Ele é quem oferta o pão – Ele veio ao mundo para nos salvar de nossa condenação, seu reino veio até nós. É dEle a oferta de perdão dos nossos pecados por meio de sua morte carnal, o corpo que foi partido por todos nós. Essa é a oferta, o perdão divino oferecido a todos os homens, de todas as épocas: que o pecado seja condenado no corpo carnal.


4 – Ele é que nos oferta o cálice do perdão – O sangue do justo foi derramado num madeiro. O justo foi caçado, preso, caluniado, injuriado, julgado, condenado, espancado e executado. Por ser justo, em sua justiça clamou por nosso perdão. Este é o alto preço da justiça divina que recai sobre o homem: o perdão já nos foi ofertado por Yeshua, lá no madeiro, quando sua vida se esvaia, na sua morte carnal. - Resta-nos agora somente a sua justiça. Sangue é vida, logo, quem beber de seu cálice, quem provar de seu sangue viverá. Somente os que bebem de seu cálice tem parte nEle, e na nova aliança.


- Para uma ceia ser Santa, ela deve contar com a presença de um Santo. Nenhum pão é santo por si só, nenhum vinho é salvação para nossa alma. O verdadeiro sentido da ceia consiste em estar na presença Yeshua, em ter comunhão com Ele. - Ele é Santo e sua presença nos santifica!


- O corpo de Yeshua foi partido para expiação dos nossos pecados, logo, comemos deste corpo quando nos reconhecemos pecadores, e nos arrependemos de nossos pecados. Igualmente, bebemos do cálice do seu sangue, quando somos perdoados de nossos pecados. É como está escrito, seu corpo foi partido por todos, porém, o sangue da remissão dos pecados foi derramado por muitos, mas não por todos. Yeshua já se compadeceu de nós pecadores e morreu em nosso lugar, mas Ele é justo, e fará sua justiça prevalecer. Julgará a cada um de nós segundo nossas obras. - Receberemos o que for justo!


Paz!